Inibição da lactação / desmame


Quase todas as mães podem ser bem-sucedidas na amamentação, o que inclui iniciar a amamentação dentro da primeira hora de vida, amamentar exclusivamente nos primeiros seis meses e continuar a amamentar até dois anos de idade ou mais. Entretanto, um pequeno número de condições de saúde da criança e da mãe justifica recomendar que ela não amamente temporária ou permanentemente, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (2009).

Indicações para inibição da lactação:

As situações em que se faz necessária a inibição da lactação são pouco frequentes, e dependem tanto de causas de origem materna quanto de fatores inerentes ao recém-nato seja de forma permanente ou temporária.

Condições Maternas

  • Forma permanente - Infecção pelo HIV

  • Forma temporária

  • Doença grave que impeça cuidar de seu filho - p.e. sepse.

  • Vírus do Herpex simples tipo 1 - até que as lesões mamárias da mãe estejam curadas.

  • Medicações - drogas sedativas, psicoterápicas, anti-epiléticas, opiáceos, quimioterapia citotóxica, iodo - 131 radioativo, iodo ou iodofor tópico (ex. povidone-iodato) usado em excesso em mucosas e feridas abertas.

Condições nas quais não se contraindica amamentar:

  • Abscesso mamário

  • Hepatite B

  • Hepatite C

  • Mastite

  • Tuberculose

  • Uso de nicotina, álcool, ecstazy, anfetaminas, cocaína e estimulantes relacionados. As mães devem ser auxiliadas e incentivadas a não usar tais substâncias.


Métodos para inibição

Os esquemas propostos para a interrupção da lactação baseiam-se na supressão dos estímulos sobre o mamilo e a mama e na inibição da síntese de prolactina.

A falta de estímulo mamilar impede a liberação de ocitocina e, consequentemente, a ejeção láctea. O ácino mamário túrgido tem a sua produção de leite diminuída, por efeito local do aumento da pressão. A ausência da sucção reativa a produção de um fator inibidor da prolactina (PIF), que parece ser a própria dopamina, impedindo também a secreção deste hormônio pela adenohipófise.

Os métodos não farmacológicos são preferidos, uma vez que são mais efetivos, produzem menos efeitos colaterais e não apresentam contraindicações. Algumas vezes, a sintomatologia promovida pela tentativa da inibição da lactação faz com que a associação do tratamento medicamentoso aos métodos conservadores seja necessária.

Não farmacológicos:

  • Evitar a sucção e outras formas de estímulo do complexo aréolo-mamilar.

  • Não promover a restrição hídrica - a hidratação deve ser de acordo com a necessidade da mulher.

  • Enfaixamento compressivo: logo após o parto, através de ataduras elásticas de 15 cm de largura, que envolvam todo o tórax. Este procedimento deve ser mantido por 5 dias e as ataduras somente retiradas para o banho da paciente.

  • Aplicar compressas de gelo sobre as mamas, durante 10 minutos, 4 a 6 vezes ao dia.

  • Estimular a utilização de sutiãs.

Farmacológicos

Os esquemas terapêuticos mais comumente utilizados atuam diminuindo a secreção de prolactina ao promover um ambiente hormonal semelhante ao ocorrido na gestação (com altas taxas de estradiol) ou por ter efeito sinérgico à dopamina. O medicamento mais usado tem sido a Cabergolina, porém existem outros também.


Desmame

Desmame é o processo pelo qual a criança deixa de se alimentar através do aleitamento materno e passa a receber todos os nutrientes de que precisa através de outros alimentos.


Quando devo começar o desmame?

Não existe uma regra para o momento do desmame. A orientação de especialistas e autoridades na área da saúde, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, é de que o bebê receba exclusivamente leite materno até os 6 meses de idade e que continue sendo amamentado até 2 anos ou mais, mesmo que já tenha começado a ingerir outros alimentos. A despeito do que amigos ou parentes possam falar, não há maneira certa ou errada de desmamar o bebê. Algumas mães preferem escolher o momento para parar de amamentar, enquanto outras deixam a decisão nas mãos da criança. É uma decisão muito pessoal, que depende das circunstâncias de cada família.


Desmame definido pela criança

O desmame é definido pela criança quando não se estabelece um calendário fixo para deixar de amamentar. A mãe observa a criança para ver se há sinais de que ela está pronta (física e emocionalmente) para isso. O que costuma acontecer é que a criança demonstra menos interesse pelo peito, mostra impaciência durante a mamada, substitui algumas mamadas por outros tipos de alimentos ou até prefere brincar. A mãe, melhor do que ninguém, saberá avaliar. A sintonia entre mãe e filho é essencial para o que alguns chamam de 'desmame gentil', que acontece bem aos poucos, sem dramas, e por vontade da criança.


Desmame definido pela mãe

Existem casos em que a mãe é quem decide iniciar o desmame, seja por circunstâncias ligadas ao trabalho, à saúde ou porque sente que é o momento adequado. Mesmo quando o desmame é iniciado pela mãe, o ideal é que seja gradual. O processo requer paciência e pode levar algum tempo -- esse tempo varia muito de criança para criança, mas pode se estender de algumas semanas a até seis meses.

Qualquer que seja a situação, desmamar uma criança não deixa de ser como uma longa despedida cheia de emoções misturadas -- às vezes dolorosas, às vezes liberadoras. O importante é que o desmame não signifique o fim da intimidade que você estabeleceu com seu filho durante o aleitamento. Se a hora da mamada servia para confortá-lo, procure ler ou cantar para acalmá-lo.


Como faço, na prática, para desmamar meu filho?

Vá devagar no processo do desmame. Os especialistas aconselham a não parar de amamentar de repente, porque a experiência pode ser traumática para a criança e nada confortável para você. Passar, por exemplo, um fim de semana longe do seu filho não é uma boa forma de encerrar o aleitamento. Esse distanciamento, além de poder ser negativo para a criança, arrisca deixá-la com seios cheios demais e até levar a uma mastite. Se seu filho não mostra sinais de que está pronto para parar de mamar, o desmame possivelmente será enfrentado com resistência. Tente ser paciente. Lembre-se de que a amamentação não é somente fonte da nutrição da criança, é também de

conforto. Evite também iniciar o processo de desmame em momentos mais conturbados da vida da criança, como o ingresso na escola


e mudanças de casa, por exemplo, ou quando ela está doente. Sempre que possível, tente se planejar para que o fim da amamentação não coincida com esses acontecimentos. Tendo isso em mente, o melhor a fazer é ajudar seu filho a se ajustar à nova rotina. Você pode experimentar os seguintes métodos:

  • Só ofereça o peito quando seu filho demonstrar interesse. Se a criança estiver distraída na hora da mamada ou se abocanhar o peito por segundos apenas, pode ser que esteja indicando que é um bom momento para parar.


  • Associe outro membro da família com a alimentação. O ideal é que o pai ou outro membro da família ofereça alimentos para a criança para que ela não associe a alimentação apenas à mãe.


  • Intercale mamada e outros alimentos. Pule uma mamada e veja o que acontece. Dê leite em um copo de transição ou comum. Ao ir reduzindo uma mamada por vez, a criança tem tempo para se adaptar às mudanças. Sua produção de leite também vai diminuir gradativamente, sem deixar os seios ingurgitados ou com uma possível mastite (inflamação mamária).


  • Atrase as mamadas. Tente adiar as mamadas se estiver amamentando só de vez em quando. Quando seu filho pedir o peito, diga que não chegou a hora ainda e procure distraí-lo.

Este método funciona bem com crianças um pouco mais velhas, com quem é possível tentar argumentar. Em vez de dar de mamar no começo da noite, espere até a hora de dormir.


  • Reduza o tempo de cada mamada. Comece limitando o tempo que seu filho fica no peito. Se ele costuma mamar por 10 minutos, tente amamentar por 5 minutos. Dependendo da idade da criança, é possível oferecer na sequência outro alimento.

  • Faça combinados. Explique para seu filho que as mamadas ficarão limitadas a certos momentos, e apenas por certo tempo, e procure se manter firme, para que ele não fique insistindo. Procure sempre dar um tom positivo aos combinados.

  • Esteja aberta à necessidade de adiar o desmame, se estiver sendo muito difícil. Caso o processo esteja sendo sofrido, talvez seja o caso de voltar atrás e esperar mais um pouco, para que vocês estejam mais prontos.










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