Puerperalidade



Durante a gestação, pelos altos níveis de esteróides, as alterações são exuberantes. Ocorre uma fase secretória exagerada.

Os ductos proliferam, já a partir da terceira semana. O crescimento da árvore lóbulo-alveolar no primeiro trimestre substitui o tecido gorduroso e conjuntivo.

Durante o segundo trimestre, estas alterações se acentuam, agora já com a presença da prolactina (PRL). Os fenômenos secretórios surgem, amadurecendo por completo a glândula mamária.

Já no terceiro trimestre, com o aumento de PRL, a vascularização se acentua para fornecer o substrato da lactogênese. Para o completo amadurecimento é importante a presença de cortisol, insulina, hormônio de crescimento e fator de crescimento epidérmico. A somatomamotrofina placentária tem ação semelhante à PRL hipofisária, embora com efeito mais discreto. Compete com a PRL.


Próximo do parto, a secreção de colostro se inicia. A lactogênese não ocorre, inibida pela ação do E2 e da P nos alvéolos.

Após o parto, com a dequitação, os níveis de estrógeno e progesterona caem abruptamente, possibilitando que a PRL atue em sua plenitude. Induz a diferenciação de células pré-secretórias em secretórias; estimula a síntese de RNA para a produção de proteínas lácteas específicas, caseína e alfa-lactoalbumina, além de possibilitar a indução das enzimas galactosil transferase e lactose sintetase. A PRL também induz a formação de receptores para PRL.

Ela é básica para a apojadura; após cerca de 40 dias, seus níveis voltam ao normal; entretanto, após cada mamada seus níveis sobem em picos, mantendo a produção de leite. Com o passar do tempo, os picos induzidos pela sucção tendem a diminuir.

Esta queda nos níveis dos picos de PRL parece estar relacionada com o intervalo das mamadas; quanto maior o intervalo, maior o tempo para a PRL se restabelecer; o limite está por volta de 12 horas. A manutenção da lactação exige remoção regular do leite e estímulo para liberá-lo, devido ao reflexo neural. Sem o estímulo da sucção mamária pelo neonato, os baixos níveis de PRL não são suficientes para manter a galactopoese.

A produção e a ejeção do leite são controladas por arcos reflexos neurais, iniciando-se em terminações nervosas livres no complexo areolomamilar. O estímulo destas terminações libera ocitocina da hipófise posterior e PRL da anterior. A ocitocina contrai os componentes das células mioepiteliais perialveolares, ocorrendo a expulsão láctea. Estímulos auditivos, visuais e olfatórios também podem contribuir para a liberação de ocitocina. Por outro lado, a dor ou o constrangimento podem exercer efeito inibidor.

Quanto mais frequente for a sucção pelo neonato, mais duradouro será o efeito da PRL, inclusive com implicações na volta à normalidade dos ciclos menstruais e consequente anovulação.

Sabe-se hoje que amamentação por livre demanda mantém os níveis de PRL mais constantes. Como níveis acima da média de PRL inibem a secreção de GnHR pelo hipotálamo, ocorre período maior de amenorréia e anovulação puerperal com este tipo de amamentação. Quando cessa a amamentação a glândula retorna ao estado inativo. Não mais ocorre o estímulo para liberação de ocitocina e PRL. Os níveis de gonadotrofinas voltam ao normal e com elas os ciclos ovulatórios. O leite não removido exerce pressão intramamária, ocorrendo a rotura alveolar, com atrofia da estrutura lobular. O material retido é fagocitado.

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